Projeto comemora trajetória de incentivo ao empreendedorismo artesanal, geração de renda e novas oportunidades para centenas de famílias
Abril é mês de celebrar histórias que nasceram das mãos e ganharam o mundo. Em Castanhal, o projeto “Mãos que Criam” completa 13 anos como símbolo de transformação, autonomia e recomeço para homens e mulheres que encontraram no artesanato uma nova forma de viver e empreende.
Ao longo dessa trajetória, o que antes era apenas talento passou a se tornar renda, reconhecimento e dignidade. São doces, comidas típicas, bonecas de pano, pinturas e esculturas em madeira que carregam identidade e afeto. Por trás de cada peça, existe uma história de superação e virada de chave.
Desenvolvido pela Prefeitura de Castanhal, por meio da Secretaria Municipal de Indústria e Comércio (Semics), o projeto nasceu em 2013 com o objetivo de fortalecer associações de artesãos locais. Mas foi a sensibilidade em enxergar além que impulsionou seu crescimento. Com o tempo, a iniciativa passou a acolher também artesãos independentes, garantindo espaço, visibilidade e oportunidades para quem antes estava à margem.
A grande expansão veio em 2014, com a inserção na Rota Turística Histórica Belém-Bragança, iniciativa da Setur (Secretaria de Estado de Turismo) que valorizou o artesanato como expressão cultural e econômica. Desde então, o projeto não parou de crescer. O grupo inicial de 38 artesãos se transformou em uma rede consolidada, que hoje reúne mais de 150 artesãos unidos pelo talento e pela vontade de empreender.
O “Mãos que Criam” celebra conquistas. Para muitos participantes, o projeto representou o primeiro passo rumo à independência financeira e ao reconhecimento profissional.
Segundo a coordenadora, Kleice Corrêa, o caminho para fazer parte dessa história é acessível e acolhedor. “O interessado leva uma amostra do produto até a Semics, onde avaliamos se o item se enquadra como artesanal ou manual. Caso ainda não seja formalizado, ele recebe orientação para se tornar MEI e também apoio para emitir a Carteira Nacional do Artesão”, explica.
Ao completar 13 anos, o projeto reafirma seu papel como uma política pública que transforma vidas. Mais do que incentivar a produção artesanal, o “Mãos que Criam” constrói oportunidades, fortalece sonhos e mostra que, quando o talento encontra apoio, ele pode ir muito mais longe.
Histórias de vidas transformadas
Mais do que um espaço de exposição e vendas, o projeto “Mãos que Criam” se tornou um verdadeiro agente de transformação na vida de quem encontrou no artesanato uma forma de recomeço, renda e realização pessoal. Por trás de cada peça produzida, existem histórias marcadas por superação, crescimento e, principalmente, gratidão.
A artesã Patrícia Almeida, do Ateliê Patrícia de Maria, é um exemplo de como o projeto pode impactar de forma positiva a vida dos participantes. Trabalhando com artes sacras, ela integra o “Mãos que Criam” há cerca de um ano e destaca a mudança que vivenciou nesse período. “É algo que renovou a minha vida e que está me fazendo muito bem”, afirma.
Para Francisca Douro, proprietária da marca Dona Essência Velas Aromáticas, o projeto representou uma oportunidade que antes não existia. Há quatro anos no “Mãos que Criam”, ela conta que foi ali que encontrou espaço para mostrar e comercializar seus produtos. “O projeto me abriu portas, porque até então eu não tinha onde expor meu trabalho e nem onde vender”, relembra, com gratidão.
Já Angelita Sena, que participa desde 2014, viu seu talento ganhar visibilidade ao longo dos anos. Conhecida por suas bonecas artesanais, ela não esconde o carinho pelo projeto. “Não pretendo sair. Vou ficar até quando puder. Enquanto isso, sou muito feliz de participar”, diz, emocionada.
A trajetória de Socorro Moraes também reforça o impacto do “Mãos que Criam”. À frente da marca Produtos Moraes, ela destaca o reconhecimento conquistado ao longo do tempo. “O projeto mudou a minha vida, fez meus produtos serem mais conhecidos. Só tenho a agradecer”, ressalta.
Para Eliana Costa, da “Mente Arteira”, o projeto foi além da geração de renda: trouxe transformação emocional. Há pouco mais de um ano na iniciativa, ela encontrou no artesanato uma nova perspectiva. “Mudou a minha vida, o meu psicológico. Hoje estou expondo meus produtos e dividindo esse espaço com outros colegas”, conta.
Quem também celebra os resultados é Érica Braga, da Flor Cacau. Participando há quase um ano, ela vê no projeto uma importante vitrine para o crescimento do seu negócio. “Tem somado muito com o nosso trabalho. Desde a primeira feira, na Expofac, tenho participado de várias outras oportunidades que ajudaram positivamente”, afirma.
Cada relato reforça que o “Mãos que Criam” vai muito além do incentivo ao empreendedorismo artesanal. O projeto constrói caminhos, fortalece histórias e transforma vidas todos os dias, mostrando que, com apoio e oportunidade, talento pode se tornar um verdadeiro instrumento de mudança.



